Olá!
Apesar de eu não ser muito fã de comprar livros que entrem nas famigeradas listas de "10 +" (tá, pode ser preconceito, mas não gosto muito dessa coisa guiada...), hoje me ocorreu falar de um livro muito recente e que descobri após ver sua indicação, se não me engano, no jornal OGlobo. A reportagem era uma entrevista com a autora e uma breve explicação sobre a história que retratava.
Transcrevo uma ideia sobre o livro, em breves linhas, do mesmo jornal
OGlobo: "Não era hora do rush em Seul, mas a principal estação de trem
da capital
sul-coreana fervilhava de gente. Entre cotoveladas e empurrões, um
casal de idosos vindo do interior tentava chegar à casa do filho mais
velho. O trem freia na plataforma. O pai, que sempre anda à frente da
esposa, se esgueira pela porta e entra no vagão. A mulher, uma
analfabeta que dedicou a vida aos filhos, se perde do lado de fora."
Devo confessar que esse livro MERECE estar em qualquer lista de "10 +"! A leitura é simples e diferente - a autora intercala primeira, segunda, terceira pessoas - prende a atenção do leitor, fazendo uma pequena confusão com a forma literária escolhida. Explico: o livro não tem apenas um "autor": é relatado por dois filhos, pelo esposo e por uma surpresa (hahaha), os quais intercalam seus pensamentos nas várias formas de escrita.
Suscintamente, essa é a "ideia carro-chefe"; entretanto, o real interesse é nos fazer pensar nas relações familiares, nas prioridades que escolhemos ao longo dos anos, ou mesmo no quão de afeto estamos dispostos a oferecer e no quão efetivamente cobramos e carecemos. Isto tudo sem parecer livro de auto-ajuda ou Paulo Coelho (que me desculpem seus fãs, mas, venhamos e convenhamos...).
Uma curiosidade é o fato de este livro, parte da lista do "clube de leitura" da Oprah, ter sido alvo de uma pequena observação dela: o nome da mamãe quase nunca ser citado. Não acho. Acredito que o nome estava bem em evidência, além de a ideia central não ser a da procura "externa" da senhorinha, mas a busca individual de cada um dos "autores" pela mamãe que tinham, que enxergavam... E, nesse diapasão, o livro é bem escrito, bem balanceado, uma leitura absolutamente fascinante, com a capacidade de hipnotizar o leitor da primeira à última página. E ainda tem um plus: viajamos pela Coreia do Sul, seus costumes, sua comida, seus lugares, tudo muito bem descrito, fascinante!
Enfim, foi muito bom ter deixado de lado certos pré-conceitos e embarcado nessa leitura. O livro "Por favor, cuide da mamãe", além de não muito extenso, ainda pode ser encontrado bastante em conta nas livrarias (comprei por R$ 25,90 na Livraria da Travessa, no RJ), e nos mostra como nós, às vezes, precisamos nos deparar com histórias humanas para reanalisarmos a nossa condição, e não guardarmos em alguma gaveta escura os sentimentos que perfazem essa nossa humanidade.
"Você não sabia por que levou tanto tempo para perceber algo tão óbvio. Para você, Mamãe era sempre Mamãe. Jamais lhe ocorrera que ela tivesse um dia dado seus primeiros passos ou que uma vez tivesse tido 3, 12 ou 20 anos de idade. Mamãe era Mamãe. Já tinha nascido Mamãe. Até vê-la correndo daquele jeito na direção do seu tio, você ainda não tinha compreendido que ela era um ser human que nutria exatamente o mesmo sentimento que você experimentava em relação aos seus próprios irmãos, e essa percepção levou à compreensão de que ela também tivera uma infância."
"Você não sabia por que levou tanto tempo para perceber algo tão óbvio. Para você, Mamãe era sempre Mamãe. Jamais lhe ocorrera que ela tivesse um dia dado seus primeiros passos ou que uma vez tivesse tido 3, 12 ou 20 anos de idade. Mamãe era Mamãe. Já tinha nascido Mamãe. Até vê-la correndo daquele jeito na direção do seu tio, você ainda não tinha compreendido que ela era um ser human que nutria exatamente o mesmo sentimento que você experimentava em relação aos seus próprios irmãos, e essa percepção levou à compreensão de que ela também tivera uma infância."
Boa viagem à Coreia do Sul! :)

